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terça-feira, 12 de maio de 2009

Dana Social

Doação de resíduos para o Aterro Santa Tecla

Inclusão coletiva através da doação de resíduos recicláveis
Doação acontece desde 2001
Imagem: Marcos Massa

O lugar é árido. Um Aterro de lixo sempre é um quadro triste de se ver e faz pensar nos desperdícios que cometemos no nosso dia-a-dia. O Aterro Municipal Santa Tecla, em Gravataí, não é diferente. Mas a profusão de sorrisos que se encontra lá é tamanha que é impossível não se emocionar e sorrir de volta.
São dois galpões de reciclagem que sustentam 46 famílias de Gravataí, que vivem da triagem do lixo. A Dana doa para este Galpão os resíduos recicláveis de papelão, plástico e vidro gerados na empresa. No caso dos plásticos e papelões, a geração de resíduos, em 2007, foi de 90 toneladas de papel, 89 de plásticos e 800 Kg de vidro – 80% deste material é doado para as usinas de reciclagem do município de Gravataí.
O objetivo é que os catadores de lixo promovam uma reciclagem em nível comercial dentro dos galpões de reciclagem localizados dentro do aterro Sanitário Municipal Santa Tecla, em Gravataí. A ideia é evitar que eles retornem ao aterro para fazer coletas manuais, como era feito antes destes projetos sociais. Outro objetivo desta ação é fortalecer a implantação da coleta seletiva em Gravataí.

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Gelson acha fundamentais as doações da Dana
Imagem: Marcos Massa

A Dana faz esta doação desde 2001, e as cargas chegam diariamente ao Aterro. Rosângela Maria de Aguiar Gomes, bióloga responsável pelas atividades do Aterro desde 2000, afirmou que a importância destas doações é vital. “O plástico, papelão e vidro que vêm da Dana é muito importante para estas famílias – é um material rico, que vêm limpo e separado para que eles façam a triagem. Sem ele, o Aterro não funcionaria tão bem, com certeza”, disse a bióloga.
No primeiro galpão, trabalham os componentes da Associação de Catadores Santa Tecla. O presidente da Associação, Gelson da Silva, trabalha no Aterro desde 96 e, antes disso, era catador de rua. Em 1996, ele resolveu organizar sua gente e criar a Associação que, ele mesmo define, é uma grande família. “As doações da Dana ajudaram – e muito – a estabilizar a situação da Associação e são muito importantes porque representam o sustento para as 25 famílias das pessoas que trabalham aqui”, relata. Gelson começa a trabalhar todos os dias às 8h30min, e quase não pára até às 17h. Sua esposa, Rosa Muniz da Silva, com quem é casado há 10 anos, trabalha com ele e eles têm uma filha de 2 anos, Rosa.

Noeli e Débora: mãe e filha unidas
Imagem: Marcos Massa

Noeli Martins da Silva conhece bem a história desta Associação – ela trabalha desde 1983 no Aterro, muito antes dela ser criada por Gelson. Nascida em Porto Alegre, com 8 irmãos, ela trabalhou deste criança na roça, já que a família morava num sítio, trabalhando como caseiros. Plantavam mandioca, aipim, batata doce. Tempo pra estudar não havia. Mudou-se para Gravataí já adulta, e começou a trabalhar como catadora de lixo no Aterro porque achava que o serviço seria mais leve do que o da roça. Chegava de manhã, catava lixo o dia todo, e vendia-o no final do dia. “Eu amo o que eu faço, de todo o coração. Sinto que, fazendo isso, posso viver melhor. É do lixo que eu sobrevivo, e não tenho vergonha de dizer isso. Sobrevivo e ainda ajudo a sociedade e o meio ambiente”, diz. Ela gosta tanto do trabalho que incentivou sua filha, Fátima Aparecida, de 24 anos, a trabalhar com ela.
Fátima trabalha no Aterro desde o começo deste ano. Ela mora em Gravataí com o marido, Daniel, com quem é casada há 8 anos, e está esperando seu primeiro filho. “Eu estava desempregada até o início do ano e estou gostando muito de trabalhar aqui. Além disso, fico junto da minha mãe e ajudo meu marido a aumentar nossa renda familiar”.

Força e união
Cassius busca parcerias para os catadores
Imagem: Marcos Massa

No segundo Galpão de Reciclagem do Aterro Santa Tecla, trabalham os funcionários da Associação ATRACAR – Associação de trabalhadores de ofícios vários, carroceiros e catadores de materiais recicláveis do Aterro de Gravataí. Além do material doado pela Dana, eles também trabalham com o material recolhido pela Prefeitura de Gravataí na Coleta Seletiva da cidade. A Associação existe desde 96, com a preocupação de reduzir os intermediários entre os catadores e as pessoas para quem vendem os resíduos – e, assim, aumentar os ganhos dos catadores.
Cassius de Oliveira, Coordenador do Grupo, diz que, hoje, a renda dos catadores desta Associação aumentou em até 400%. Ao todo, 21 pessoas trabalham ali, e mais 33 trabalham como catadores na rua. “Somos organizados. Buscamos parcerias, com grandes empresas e com a Prefeitura e, assim, crescemos juntos. A parceria com a Dana é vital pois, além de nos gerar recursos para trabalharmos mais, nos serve como credencial na hora de sugerir outras parcerias com empresas”, afirma.

Cristina cuida da parte administrativa
Imagem: Marcos Massa

Ana Cristina Santos Jorge de Oliveira é casada com Cassius e trabalha no Aterro há 4 anos com ele. Cristina faz todo tipo de serviço administrativo para a Associação e mora em Gravataí. Quando começou a trabalhar no Aterro, fazia a triagem de resíduos recicláveis e logo aprendeu as diferentes classificações de materiais. Há 2 anos, quando engravidou, passou a ser Coordenadora de Produção. A responsabilidade aumentou, mas ela se sente feliz por fazer algo por sua gente. “Existe muito preconceito, as pessoas acham que somos lixeiros, mas o que queremos é mostrar que esse é um serviço tão digno como qualquer outro”. Cristina tem 4 filhos: Alisson, de 12 anos, Camila, de 7, Flávia, de 8 e Antônio, de 2, e quer dar oportunidades para que eles cresçam na vida, através do estudo. Ela trabalhava como faxineira para sustentar as crianças mas, agora, sente que está no lugar certo. “Me sinto bem fazendo o meu trabalho, acho que contribuo para um mundo melhor para os meus filhos”, diz.

Tânia trabalha há 20 anos com reciclagem
Imagem: Marcos Massa

Outra ‘mãezona’ é Tânia Maria Cardoso, que trabalhou uma vida toda como catadora para sustentar sua família. Ela nasceu em Passo Fundo, interior do Estado, mas veio para Porto Alegre na perspectiva de encontrar um bom emprego, já com 2 filhos, André (que hoje tem 29 anos), e Alex (de 27) – e grávida de Anelise, hoje com 25 anos. Chegando na Capital, a única alternativa encontrada por ela e pelo marido foi a de trabalhar como catadores de lixo, usando um carrinho de mão. Tânia levava os filhos consigo. Estudou até a 4ª. Série do Ensino Fundamental, trabalhou como faxineira e, há 25 anos atrás, começou a catar lixo no bairro onde morava, em Ipanema.
Trabalhava o dia todo caminhando pela cidade, e diz que enfrentou muita discriminação. “Antigamente, era pior. As mulheres catadoras eram vistas como ladras, prostitutas e, os homens, como bêbados e ladrões. O que as pessoas não sabiam é da importância deste trabalho para a sociedade. A gente sempre limpou a cidade”, explica. Trabalhando como catadora, Tânia conseguiu criar todos os seus 7 filhos e foi também uma das fundadoras da FARGS (Fundações Auto-Gestionadas de Materiais Recicláveis do Rio Grande do Sul), quando ainda trabalhava em um Galpão de Reciclagem no bairro Cavalhada. Hoje, ela mora em Gravataí e trabalha há 4 meses no Galpão do Aterro Santa Tecla, junto do marido Rogério. “Trabalho na triagem, e trabalho com isso porque gosto. Sei da importância do que faço e acho que os catadores ainda tem muito a conquistar em reconhecimento, por isso, trabalho com alegria e muito realizada”.

Ivonete: alegria e vaidade
Imagem: Marcos Massa

Alegria é também a marca registrada de Ivonete Cristiane Borges da Silva, que trabalha há 3 anos no Galpão. Vaidosa, de unhas pintadas e trancinhas no cabelo, Ivonete está sempre cantando, sorrindo e encantando com sua alegria genuína.
Aos 32 anos, ela trabalhou como doméstica e mudou-se para Gravataí com o marido, Ademir, com quem é casada há 3 anos. Ivonete voltou a estudar neste ano – está cursando a 5ª. Série do Ensino Fundamental – e diz que é chamada de “patricinha” pelo marido brincalhão. “Eu estou sempre alegre porque não gosto de gente que está sempre de cara amarrada. Lutei muito contra o meu próprio preconceito em relação à minha profissão, e hoje sou muito feliz trabalhando no Galpão. Nos primeiros dias, saía do trabalho com o estômago revoltado e tinha vergonha do que fazia. Hoje, tenho orgulho”, conclui, categórica.

  • Imagens

Paisagem (e realidade) áridas: Aterro Municipal de Santa Tecla, em Gravataí (foto: Marcos Massa)Noeli e Débora: duas gerações de catadoras (foto: Marcos Massa)A alegria das catadoras da Associação Santa Tecla é contagiante (foto: Marcos Massa)Vista do Galpão de Reciclagem da Associação dos Catadores de Santa Tecla (foto: Marcos Massa) (foto: Marcos Massa)Depois de passar pela triagem, o material é prensado para que possa ser vendido (foto: Marcos Massa)
Cor em meio à paisagem árida (foto: Marcos Massa)O papel também é prensado para ser vendido (foto: Marcos Massa)Depois de ser prensado, o material fica depositado no próprio Galpão (foto: Marcos Massa)
Débora: trabalhando e fazendo planos para sua filha, que nascerá daqui a alguns meses (foto: Marcos Massa)Noeli e Débora: mãe e filha na mesma profissão, com boa-vontade de sobra (foto: Marcos Massa)O material, já triado, pronto para a venda (foto: Marcos Massa)
A ATRACAR reúne mais de 20 funcionários no segundo Galpão de Reciclagem do Aterro Santa Tecla (foto: Marcos Massa)Desde seu surgimento, a Associação aumentou os luvros dos catadores em até 400% (foto: Marcos Massa)Vista dos trabalhadores da ATRACAR: organização e união são as palavras-chave (foto: Marcos Massa)

Depois de separados, os resíduos são armazenados e vão para as prensas (no canto direito superior da foto) (foto: Marcos Massa)Rogério e Ivonete, trabalhando sempre juntos para que todos possam crescer (foto: Marcos Massa)Ivonete, a 'patricinha' do Galpão: vaidade e alegria de viver são suas marcas registradas (foto: Marcos Massa)
Os trabalhadores dos dois Galpões reunidos: a união faz a força (foto: Marcos Massa)

Este projeto está vinculado às Metas do Milênio

 1. Erradicar a extrema pobreza e a fome

7. Garantir a sustentabilidade ambiental

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