segunda-feira, 22 de junho de 2009

Planeta Inteligente

Fome atinge 1,02 bilhão de pessoas

Roberto Moregola

Pela primeira vez na história, o número de pessoas que passam fome superou a marca de 1 bilhão, segundo relatório da FAO, Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação. O número representa um sexto da população global e representa um aumento superior a 10% em relação a 2008.

Se os níveis persistirem, a proposta da FAO de redução pela metade do número de pessoas nessas condições não será cumprida. A meta estipula que, até 2015, a falta de alimentos não atinja mais do que 420 milhões de habitantes.

Embora projeções indiquem que em 2009 a produção de gêneros alimentares será inferior à do ano passado, a quantidade disponível de produtos não é apontada como causa do problema. Pesquisas indicam que a produção de cereais, por exemplo, terá índices elevados este ano.

Segundo o estudo, a crise mundial é o principal motivo pelo crescimento da desnutrição ao redor do mundo. A estagnação da economia provocou a diminuição da oferta de empregos e o aumento dos preços dos alimentos. Com isso, as camadas mais pobres ficaram sem acesso às condições básicas de alimentação. Outra consequência registrada foi a mudança da rotina de gastos das famílias, que passaram a consumir alimentos mais baratos, como grãos, em detrimento de produtos como carnes, derivados do leite, frutas e hortaliças, mais caros e ricos em proteínas e nutrientes.

O estudo indica que, para sanar o problema, as famílias afetadas recorrem a deslocamentos migratórios em busca de novos postos de trabalho, empréstimos e a entrada em novos setores da economia. Além disso, é verificado o aumento do número de mulheres no mercado, situação que também pode ocorrer com crianças.

Alguns reflexos nocivos dessas mudanças são a evasão escolar – o que contribui para a perpetuação de um ciclo de pobreza – e a manifestação de tensões sociais.

A região da Ásia e do Pacífico (onde estão localizadas China e Índia) é a que apresenta o maior número de pessoas que passam fome: 642 milhões. Em termos relativos, ou seja, quantidade de desnutridos em relação ao total de habitantes, a África subsaariana (países localizados ao sul do deserto do Saara) tem o maior índice: 32%. A região da América Latina e do Caribe, onde melhoras tinham sido registradas nos últimos anos, apresentou um aumento na taxa da ordem de 12,8%, o que corresponde a 53 milhões de pessoas.

Planeta Inteligente

sexta-feira, 19 de junho de 2009

- Fome no Mundo - um problema sem solução?

Alberto Garuti

Resolver o problema da fome
não depende só dos países em desenvolvimento

Em 1974, durante a Conferência Mundial sobre Alimentação, as Nações Unidas estabeleceram que “todo homem, mulher, criança, tem o direito inalienável de ser livre da fome e da desnutrição...”. Portanto, a comunidade internacional deveria ter como maior objetivo a segurança alimentar, isto é, “o acesso, sempre, por parte de todos, a alimento suficiente para uma vida sadia e ativa”.

E isso quer dizer:

  • acesso ao alimento: é condição necessária, mas ainda não suficiente;
  • sempre: e não só em certos momentos;
  • por parte de todos: não bastam que os dados estatísticos sejam satisfatórios. É necessário que todos possam ter essa segurança de acesso aos alimentos;
  • alimento para uma vida sadia e ativa: é importante que o alimento seja suficiente tanto do ponto de vista qualitativo como quantitativo.

Os dados que possuímos dizem que estamos ainda muito longe dessa situação de segurança alimentar para todos os habitantes do planeta.

Quais são as causas?

A situação precisa ser enfrentada, pois uma pessoa faminta não é uma pessoa livre. Mas é preciso, em primeiro lugar, conhecer as causas que levam à fome. Muitos acham que as conhecem, mas não percebem que, quando falam delas, se limitam, muitas vezes, a repetir o que tantos já disseram e a apontar causas que não têm nada a ver com o verdadeiro problema. Por exemplo:

A fome é causada porque o mundo não pode produzir alimentos suficientes. Não é verdade! A terra tem recursos suficientes para alimentar a humanidade inteira.

A fome é devida ao fato de que somos “demais”. Também não é verdade! Há países muito populosos, como a China, onde todos os habitantes têm, todo dia, pelo menos uma quantidade mínima de alimentos e países muito pouco habitados, como a Bolívia, onde os pobres de verdade padecem fome!

No mundo há poucas terras cultiváveis! Também não é verdade. Por enquanto, há terras suficientes que, infelizmente, são cultivadas, muitas vezes, para fornecer alimentos aos países ricos!

As verdadeiras causas

As causas da fome no mundo são várias, não podem ser reduzidas a uma só. Entre elas indicamos:

As monoculturas: o produto nacional bruto (pib) de vários países depende, em muitos casos, de uma cultura só, como acontecia, alguns anos atrás, com o Brasil, cujo único produto de exportação era o café. Sem produções alternativas, a economia desses países depende muito do preço do produto, que é fixado em outros lugares, e das condições climáticas para garantir uma boa colheita.

Diferentes condições de troca entre os vários países: alguns países, ex-colônias, estão precisando cada vez mais de produtos manufaturados e de alta tecnologia, que eles não produzem e cujo preço é fixado pelos países que exportam. Os preços das matérias-primas, quase sempre o único produto de exportação dos países pobres, são fixados, de novo, pelos países que importam.

Multinacionais: são organizações em condições de realizar operações de caráter global, fugindo assim ao controle dos Estados nacionais ou de organizações internacionais. Elas constituem uma rede de poder supranacional. Querem conquistar mercados, investindo capitais privados e deslocando a produção onde os custos de trabalho, energia e matéria-prima são mais baixos e os direitos dos trabalhadores, limitados. Controlam 40% do comércio mundial e até 90% do comércio mundial dos bens de primeira necessidade.

Dívida externa: conforme a Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a dívida está paralisando a possibilidade de países menos avançados de importar os alimentos dos quais precisam ou de dar à própria produção agrícola o necessário desenvolvimento. A dívida é contraída com os bancos particulares e com Institutos internacionais como o Fundo Monetário e o Banco Mundial. Para poder pagar os juros, tenta-se incrementar as exportações. Em certos países, 40% do que se arrecada com as exportações são gastos somente para pagar os juros da dívida externa. A dívida, infelizmente, continua inalterada ou aumenta.

Conflitos armados: o dinheiro necessário para providenciar alimento, água, educação, saúde e habitação de maneira suficiente para todos, durante um ano, corresponde a quanto o mundo inteiro gasta em menos de um mês na compra de armas. Além disso, os conflitos armados presentes em muitos países em desenvolvimento causam graves perdas e destruições em seu sistema produtivo primário.

Eis o que nos dizem as estatísticas:

- Há 800 milhões de pessoas desnutridas no mundo.

- 11 mil crianças morrem de fome a cada dia.

- Um terço das crianças dos países em desenvolvimento
apresentam atraso no crescimento físico e intelectual.

- 1,3 bilhão de pessoas no mundo não dispõe de água
potável.

- 40% das mulheres dos países em desenvolvimento são
anêmicas e encontram-se abaixo do peso.

- Uma pessoa a cada sete padece fome no mundo.

Desigualdades sociais: a luta contra a fome é, em primeiro lugar, luta contra a fome pela justiça social. As elites que estão no governo, controlando o acesso aos alimentos, mantêm e consolidam o próprio poder. Paradoxalmente, os que produzem alimento são os primeiros a sofrer por sua falta. Na maioria dos países, é muito mais fácil encontrar pessoas que passam fome em contextos rurais do que em contextos urbanos.

Neo-colonialismo: em 1945, através do reconhecimento do direito à autodeterminação dos povos, iniciou o processo de libertação dos países que até então eram colônias de outras nações. Mas, uma vez adquirida a independência, em muitos continuaram os conflitos internos que têm sua origem nos profundos desequilíbrios sociais herdados do colonialismo. Em muitos países, ao domínio colonial sucederam as ditaduras, apoiadas pela cumplicidade das superpotências e por acordos de cooperação com a antiga potência colonial. Isso deu origem ao neocolonialismo e as trocas comerciais continuaram a favorecer as mesmas potências.

Quando um país vive numa situação de miséria, podemos dizer que, praticamente, todas essas causas estão agindo ao mesmo tempo e estão na origem da fome de seus habitantes. Algumas delas dependem da situação do país, como o regime de monocultura, os conflitos armados e as desigualdades sociais. Elas serão eliminadas, quando e se o mesmo país conseguir um verda-deiro desenvolvimento. Mas outras causas já não dependem do próprio país em desenvolvimento, e sim da situação em nível internacional. Refiro-me às condições desiguais de troca entre as várias nações, à presença das multinacionais, ao peso da dívida externa e ao neocolonialismo. Isso quer dizer que os países em desenvolvimento, não conseguirão sozinhos vencer a miséria e a fome, a não ser que mudanças verdadeira-mente importantes aconteçam no relacionamento entre essas nações e as mais industrializadas.

- Fome no Mundo - um problema sem solução?

quinta-feira, 4 de junho de 2009

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Novíssima geografia da fome | O POVO Online - Vida & Arte

 

Cinema

Novíssima geografia da fome

Com o Ceará como cenário, o cineasta José Padilha lança hoje em Fortaleza seu terceiro título. Garapa flagra as dores cotidianas das vítimas da fome

Garapa, de José Padilha, flagra situações de miséria e fome em três comunidades carentes no Ceará (Foto: Divulgação/Alexandre Lima)

Seguidor das idéias e da missão do sociólogo Herbert de Sousa (1935-1997), o Betinho, à frente do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), o economista Francisco Menezes, atual diretor da entidade, bem que poderia constar nos créditos do mais recente trabalho do cineasta carioca José Padilha. Numa conversa primeira, em que o diretor procurava dados iniciais para fomentar o projeto de rodar um documentário com foco na problemática da fome, Menezes provocou: “Padilha, por que você não faz um filme sobre a realidade de quem passa fome no Brasil?”. Assim, nascia o longa-metragem Garapa, com estreia prevista para o próximo dia 29, que chega hoje a Fortaleza com duas sessões especiais no Espaço Unibanco Dragão do Mar.
Todo filmado no Ceará, Garapa demarca o reencontro de Padilha com a produção documental e reforça a imagem engajada do cineasta, autor dos polêmicos Ônibus 174 (2002) e Tropa de Elite (2007). Em quase duas horas, o diretor acompanha as dores de três famílias, açoitadas pelo drama da fome. Da periferia de Fortaleza aos confins do município de Choró, no Sertão Central, o cineasta segue, com uma câmera discreta, a rotina de quem, quando almoça, não janta, e vice-versa. Gente simples, envelhecida ainda criança, que vê a vida correr sem nenhuma esperança, nem mesmo a de comer todos os dias. Apesar do recorte geográfico muito definido, o diretor é categórico quanto aos limites de sua nova criação. “Garapa é um filme sobre a realidade de apenas três famílias, mas, eu não tenho receio em afirmar que, dos filmes que eu fiz, é o mais universal. Poderia ter filmado esse documentário em São Paulo ou na África, mas filmei no Ceará. E a fome no Ceará é exatamente a mesma fome de qualquer outro lugar”, argumenta.
Depois de disputadas apresentações em festivais nacionais e internacionais, Garapa se prepara para enfrentar o circuito nacional. Popular, graças ao estrondoso sucesso de Tropa de Elite, José Padilha volta a desafiar os públicos. Dessa vez, não mais com a potência da ficção nem com o registro de um episódio passado, como o trágico incidente do Ônibus 174, mas com a força perturbadora de um presente sofrido, que insiste em perdurar. “O grande dilema da fome, enquanto violência, é que ela não é ocasional, ela é constante”, observa o diretor, que, na passagem de hoje por Fortaleza, também participa do projeto Encontro com Cineastas, promovido pela Vila das Artes. Na entrevista exclusiva a seguir, Padilha desnuda os detalhes de seu novo trabalho e avisa: “Por mais fortes que sejam as histórias de vida dessas três famílias que escolhemos aleatoriamente, eu não acho que esteja aí o grande diferencial de Garapa. O mais forte do filme é revelar essa cara da fome, que a maioria de nós desconhece”. Confira.
O POVO - Garapa começa com duas citações do médico pernambucano Josué de Castro (1908-1973). Eu queria lembrar uma outra fala dele para começar essa nossa conversa. Ele dizia que “enquanto metade da humanidade não come, a outra metade não dorme, com medo da que tem fome”. Isso, de certa forma, aproxima esse novo filme dos outros dois que o antecederam? A violência urbana de Ônibus 174 e Tropa de Elite tem na fome de Garapa um fator determinante?
José Padilha - Eu não acho que a fome seja um fator determinante para a violência urbana. Acho, sim, que a fome é uma forma de violência muito maior que qualquer outra. O grande dilema da fome, enquanto violência, é que ela não é ocasional, ela é constante. Pelo menos aqui no Rio de Janeiro, aqui da Zona Sul do Rio, onde moro, no Jardim Botânico, não tenho como estabelecer um nexo direto. Infelizmente, não conheço outras realidades. Mas, pelo menos aqui, no Rio de Janeiro, onde filmei Ônibus 174 e Tropa de Elite, a fome não é determinante para a violência urbana. Aqui, a violência tem muito mais a ver com a corrupção política, com a má gestão da segurança pública, com o descaso com a educação, com a questão do tráfico de drogas. Claro que eu sei que, também aqui, os índices de pessoas em condição de insegurança alimentar são extremos, mas não arrisco dizer que está aí um motor da violência urbana da cidade do Rio de Janeiro.
OP - Seus outros trabalhos no cinema acabaram por exigir que você teorizasse sobre os temas de sua criação. Com isso, você passou a ser cobrado a dominar temas não necessariamente ligados ao cinema, como segurança pública, por exemplo. Isso tem se repetido em Garapa?
Padilha – De certa forma, sim, mas eu estudei bem menos para fazer esse filme que os outros dois. Garapa é um filme sobre como é passar fome. Queria fazer um documentário que mostrasse a fome do ponto de vista de quem lida com ela, e, não, dos especialistas. Por isso, me preparei menos. Embora tenha lido muito. Não à toa, cito o Josué de Castro logo começo do filme. Minha intenção, desde sempre, era mostrar a realidade da fome, e, não, explicar como ela se dá. Agora, eu acho completamente natural que o cineasta se apodere dos assuntos que discute. Isso é prova da complexidade do cinema. Hoje, depois de Garapa, eu discuto sobre insegurança alimentar com uma maturidade que antes não tinha. Para ser sincero, a fome era algo que desconhecia. Sabia que existia, mas nunca tinha visto.
OP - Que motivação você teve para retomar uma criação documental, tendo em vista a repercussão de sua estreia como diretor de ficção em Tropa de Elite, e por que falar de fome?
Padilha – Isso é interessante. Tropa de Elite e Garapa foram filmados juntos. Eu estava, ao mesmo tempo, envolvido num projeto de ficção e num outro documental. Essa distância de tempo entre eles só aconteceu por uma questão financeira. Foi mais difícil conseguir dinheiro para fazer um filme sobre fome. A idéia de Garapa não foi algo que amadureci. Na verdade, ela me chegou pronta. Numa conversa com o Francisco Menezes, do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), ONG criada pelo Betinho aqui no Rio, ele me provocou: “Padilha, por que você não faz um filme sobre fome? Um filme sobre a realidade de quem passa fome no Brasil?”. Isso mexeu muito comigo.
OP - De que forma você venceu a frieza dos números e encontrou as três famílias cearenses com as quais constrói sua narrativa?
Padilha – O próprio Francisco Menezes me sugeriu uma estrutura narrativa para o documentário. A idéia dele é que eu acompanhasse a realidade de três famílias em condição de insegurança alimentar máxima, em diferentes regiões do Brasil. Foi ele, também, quem me indicou o Ceará. Em Garapa, eu não fiz nenhum trabalho de pré-produção. Em Fortaleza, por exemplo, a família da Lúcia foi a primeira que encontrei no Centro de Nutrição do Conjunto Palmeiras. Garapa é um filme sobre a realidade de apenas três famílias, mas, eu não tenho receio algum em afirmar que, dos filmes que eu fiz, é o mais universal. Poderia ter filmado esse documentário em São Paulo ou na África, mas filmei no Ceará. E a fome no Ceará é exatamente a mesma fome de qualquer outro lugar.
OP - A princípio, você se coloca como mero observador, mas, aos poucos, tem sua equipe meio que afetada pela realidade que filma. Numa cena, você ajuda uma criança que está sofrendo com dor de dente. Em outro momento, tira a câmera de dentro de uma casa, diante do risco do marido, faminto, bater na mulher, de rabo cheio, como ele diz. Que tipo de relação você e sua produção estabeleceram com os personagens?
Padilha – Nós acompanhamos cada família por um período de cerca de 30 dias. Cada vez que a nossa relação ia aumentando com essas famílias, ficava mais e mais difícil de filmar. É inevitável que você não construa laços. A gente se aproximou, sim, do cotidiano dessas pessoas, mas esses dois casos que você cita têm dimensões bem diferentes. Quando eu dei o remédio para o garoto com dor de dente, não era exatamente o José Padilha cineasta. Era a pessoa, que não seria capaz de deixar uma criança sofrendo. Já quando nos retiramos da casa da Lúcia, naquele momento de briga dela com o marido, é porque achamos que a câmera pudesse estar estimulando uma agressividade maior dele. Mesmo assim, ficamos por perto, acompanhando. Por mais fortes que sejam as histórias de vida dessas três famílias que escolhemos aleatoriamente, eu não acho que esteja aí o grande diferencial de Garapa. O mais forte do filme é revelar essa cara da fome, que a maioria de nós desconhece.
OP - Interessado pela fome, você acaba denunciando uma realidade, na qual os problemas têm feições múltiplas. Em que medida as populações famintas têm domínio dessa complexidade?
Padilha – Essas pessoas sabem, sim, o que está acontecendo com elas. Isso não dá para negar. Elas sabem que aquela condição em que vivem tem uma série de fatores envolvidos. Agora, a fome é uma situação de fragilidade extrema. Com isso, por mais que possam até ter consciência, algumas questões, como o controle de natalidade, por exemplo, acabam sendo muito pouco discutidas. É muito forte uma espécie de fatalismo. Alguns assuntos, evidentes naquele cotidiano, só entraram em discussão porque eu provoquei. Nesses momentos, as respostas, para mim, são muito reveladoras desse domínio que você me pergunta. Num trecho, quando questiono a um dos pais se ele não acha que quanto mais filhos tiver mais difícil vai ser mais de conseguir comida para todos, ele me responde com um “Deus dá”. É claro que Deus não dá, ou, pelo menos, não estava dando para aquela família.
OP - Você tenta estabelecer com os seus interlocutores um debate sobre a eficácia do programa Fome Zero, grande bandeira do presidente Lula. Você diria que o projeto transformou a percepção social para a problemática da fome?
Padilha – Eu sou um entusiasta do Fome Zero. O Governo acerta, e muito, quando dá comida a quem tem fome. A situação da fome hoje em nosso País é menor que há alguns anos. Então, vejo, sim, como um instrumento extramente eficaz. Principalmente, por conta dessa transformação de percepção que você me pergunta. Hoje a fome é assunto nacional e é um problema que precisa ser enfrentado.
OP - Em Garapa, você acompanha o cotidiano de três famílias. O número parece modesto, mas o fato é que o panorama traçado é desolador. Por esses locais onde passou com sua equipe, você encontrou algum contraponto de dignidade ou a fome é geral?
Padilha – Três famílias pode parecer um recorte muito limitado, tendo em vista os 963 milhões de pessoas em todo o mundo que, segundo a ONU, vivem em condição extrema de fome, mas acredito que Garapa dê um novo significado a esse número. Sei, por exemplo, que os vizinhos da Robertina, no interior do Ceará, não passavam fome. Para mim, isso não muda nada, porque a Robertina, o marido e os filhos viviam numa condição de insegurança alimentar aguda. Diante disso, resta respeitar os números. No Brasil, de acordo com uma pesquisa recente do Ibase, 11,5 milhões de pessoas, assistidas pelo Fome Zero, convivem com uma grave insegurança alimentar. O que dizer das milhares que estão fora do programa? O número está dado, a gente não tem como fugir.
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Vítimas de enchentes no Norte e Nordeste reclamam da falta de comida :: Notícias JusBrasil

 

Vítimas de enchentes no Norte e Nordeste reclamam da falta de comida

Extraído de: G1 - Globo.com -  15 de Abril de 2009

Estados do Norte e Nordeste do Brasil continuam tendo prejuízos com as chuvas. Vítimas de enchente reclamam da falta de comida e de água potável.

Veja o site do Jornal Nacional

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Em Bacabal, no Maranhão, o Rio Mearim subiu quatro metros acima do nível normal. A praça da cidade ficou alagada. Oito municípios do interior continuam em estado de emergência.

No Acre, três mil pessoas tiveram que deixar suas casas. Os bombeiros trabalham também na retirada de troncos de árvores trazidos pelo Rio Acre, que ameaçam na estrutura das pontes em Rio Branco.

Em Altamira, no Pará, equipes trabalham para recuperar pontes e estradas. A Defesa Civil informou nesta quarta-feira (15) que o número de desabrigados na cidade aumentou para 1,4 mil pessoas.

Voluntários distribuíram roupas e calçados para as vítimas da enchente. O abastecimento de água ainda não foi normalizado, mas o governo do estado instalou caixas d'água em vários bairros.

O Ministério Público está investigando o que causou o rompimento de açudes próximos ao município de Altamira. Segundo a Defesa Civil, alguns deles foram construídos ilegalmente.

Alerta

A Agência Nacional de Águas fez hoje um alerta de enchente para a região amazônica. O nível do Rio Negro passou de 28 metros e está muito próximo do que foi registrado na maior cheia da história, ocorrida em 1953, quando as águas chegaram a 29,69 metros.

O relatório aponta que 50 mil moradores poderão ficar desabrigados em Manaus e áreas próximas. A Secretaria Nacional de Defesa Civil informou que foram enviados para a cidade 450 mil kits para desabrigados e 312 mil toneladas de alimentos.

Autor: Do G1, com informações do Jornal Nacional

Vítimas de enchentes no Norte e Nordeste reclamam da falta de comida :: Notícias JusBrasil

CNBB destaca PEC do divórcio, enchentes e terras na Amazônia

 

PEC 047 - Inclusão do direito à alimentação na Constituição
A presidência da CNBB manifestou o apoio da Igreja à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 047/2003, que recomenda a inclusão do direito à alimentação entre os direitos sociais estabelecidos no Artigo 6º da Constituição Federal (CF).
"Reiteramos a necessidade de incluir da alimentação na Constituição Federal como direito social. Incluir isso na Carta Magna brasileira representa um avanço muito grande para os famintos, já que este benefício social [o alimento] nem sempre é alcançado por todos. Garantir alimento é garantir vida", explicou o presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha.
De acordo com o presidente, a organização social do país não favorece os pobres e necessitados. "A organização social brasileira é frágil, pois privilegia os grandes latifundiários, monocultores e esquece que [o Brasil] tem uma população enorme passando fome. A CNBB trabalha para que seja aprovada a PEC 047/2003. Embora sendo um direito natural, o alimento deve fazer parte da nossa Constituição [como um direito social]”, afirma Dom Geraldo. Segundo o arcebispo, isso obrigaria o Governo a garantir o alimento a todos.
Enchentes no Norte e Nordeste
A presidência falou sobre o objetivo da nota aprovada pelo Conselho Episcopal de Pastoral (Consep) reunido desde o dia 19, em Brasília, manifestando solidariedade às vítimas atingidas pelas enchentes no Norte e Nordeste do Brasil.
"A CNBB juntamente com a Cáritas Brasileira faz uma convocação às nossas dioceses, paróquias e comunidades, e a todo o Brasil, a se empenharem numa campanha nacional de solidariedade aos atingidos pelas enchentes", reafirmou Dom Geraldo Lyrio. 
Para Dom Dimas, a iniciativa da CNBB e da Cáritas hoje é uma repetição daquilo que fez durante as enchentes que flagelaram o estado de Santa Catarina em 2008. "Da mesma forma que no ano passado, estamos nos empenhando nesta nova campanha. Em Santa Catarina, o apelo foi pela reconstrução das casas. Agora a mesma necessidade retorna para que divulguemos a campanha a fim de reconstruir a vida desses novos atingidos, por meio de contas bancárias, arrecadação voluntária e através dos meios de comunicação", esclareceu o secretário da CNBB.
O vice-presidente da Conferência, Dom Luiz Soares, que também é arcebispo de Manaus (AM) há 18 anos, frisou que é preciso ter cautela com discursos superficiais em relação às enchentes e destacou que o homem perdeu o hábito de conviver com a natureza. "As pessoas falam que as enchentes estão ocorrendo por influência das mudanças climáticas, mas é preciso ter cuidado com esse discurso. Não é a primeira vez que há enchente em nossa região, elas sempre ocorreram, uns anos mais, outros menos. Um fato que chama atenção é a perda da convivência entre homem e natureza. O ser humano foi construindo casas onde não devia e agora as enchentes vêm e se tornam uma calamidade", advertiu.
Dom Luiz explicou também a situação das regiões atingidas na Amazônia e o que está sendo feito para a população superar as perdas causadas pelas enchentes. “A população está passando por dificuldades no momento, mas o Governo do estado está providenciando os devidos suprimentos aos atingidos. Já soubemos também que o Governo Federal está preparando o envio de mantimentos e materiais de primeira necessidade, mas ainda não chegou. Por enquanto ninguém está passando fome por causa das enchentes”. Dom Luiz expressou ainda sua preocupação para quando as águas baixarem. “Minha preocupação é depois, quando as águas baixarem, pois é nesse momento de fato que as pessoas veem o que perderam e o que restou”.
Dom Geraldo Lyrio também chamou a atenção da imprensa para não deixar de noticiar as enchentes, sobretudo depois que as águas começarem a baixar. “A tendência dos meios de comunicação é dar ênfase ao assunto quando as águas começam a subir, mas logo que o nível baixa, ninguém mais fala sobre isso. É preciso que se continue a falar porque a situação fica pior depois que as águas baixam, porque as consequências permanecem”.

CNBB destaca PEC do divórcio, enchentes e terras na Amazônia

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